Penitenciária de Francisco Sá vira laboratório contra facções: mg isola presos e corta comunicação nas prisões
Resolução inédita no país, a nível estadual, reforça controle no sistema prisional e restringe comunicação de lideranças criminosas
A penitenciária de Francisco Sá, no Norte de Minas, já opera como o primeiro teste das novas regras rígidas contra presos ligados a facções criminosas em Minas Gerais. A unidade funciona como projeto piloto de um modelo que promete isolar lideranças, bloquear comunicações e reforçar o controle total dentro do sistema prisional.
A medida faz parte do pacote anunciado pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (Sejusp-MG), que adapta no estado a Lei Federal Antifacção, sancionada no fim de março. A proposta inclui a adequação de seis penitenciárias ao padrão de segurança máxima, seguindo diretrizes já adotadas no sistema federal.
Na prática, o que já ocorre em Francisco Sá deve se expandir: bloqueadores de celular ativos, videomonitoramento reforçado e atuação intensiva da inteligência penitenciária para impedir qualquer articulação criminosa de dentro das unidades.
Segundo o secretário Rogério Greco, o foco é cortar o elo entre presos e o crime nas ruas. “Quando você impede a comunicação externa, corta um dos principais mecanismos de atuação das facções criminosas”, afirmou.
Entre as mudanças mais duras está o fim do contato físico nas visitas. A partir de agora, os encontros acontecem apenas de forma virtual ou em parlatórios, com separação total e monitoramento constante. Também está proibida a entrada de alimentos, itens de higiene ou qualquer outro material levado por familiares — tudo passa a ser fornecido pelo Estado, que ainda acrescenta uma quinta refeição diária nessas unidades.
O atendimento jurídico segue garantido, mas com protocolos mais rígidos, sem contato físico e com controle na entrada de objetos.
De acordo com o diretor-geral do Departamento Penitenciário de Minas Gerais (Depen-MG), Leonardo Badaró, o reforço tecnológico é peça-chave. A estratégia busca centralizar presos de alta periculosidade e impedir o avanço das facções dentro do sistema.
A expectativa é que todas as unidades previstas estejam adaptadas em até 180 dias. Até lá, Francisco Sá segue como vitrine de um modelo que mira diretamente o coração das organizações criminosas.
