Prefeitos renunciam e Norte de Minas entra de vez na corrida por vagas em BH e Brasília
Por Arthur Amorim Jr. (by Norticiando)
Dos dez prefeitos mineiros que deixaram seus cargos dentro do prazo de desincompatibilização, dois nomes do Norte de Minas entram oficialmente no jogo eleitoral de 2026: Pedro Braga (PSD), mirando uma vaga na Câmara dos Deputados, e Denerval Germano (PL), que disputa uma das 77 cadeiras da Assembleia Legislativa de Minas Gerais.
As renúncias, formalizadas no início do mês, seguem o rito eleitoral, mas também redesenham o comando político nas duas cidades. Em Taiobeiras, o vice Danilo Mendes (PSDB) assume com a expectativa de continuidade administrativa — não por acaso, ele integra o grupo de Germano há quase duas décadas. Em Buritizeiro, Marcelo Osório herda a cadeira com trajetória semelhante: foi aliado direto de Braga durante dois mandatos, o que indica manutenção de projetos e compromissos já firmados.
Na prática, pouco deve mudar na condução das prefeituras. A engrenagem administrativa segue ajustada, com sucessores que representam mais continuidade do que ruptura. O movimento mais relevante acontece, de fato, no cenário eleitoral.
Denerval Germano, que construiu sua trajetória no PSDB, promoveu uma guinada estratégica ao se filiar ao PL — partido associado a lideranças como Flávio Bolsonaro e Nikolas Ferreira. A mudança sinaliza reposicionamento político e ampliação de alianças. Ele deve formar dobradinha com o deputado federal Marcelo Freitas (União Brasil) e o empresário Reginaldo Ferreira (PL).
Já Pedro Braga aposta em uma articulação mais previsível: a parceria com o deputado estadual Gil Pereira (PSD) é dada como certa, reforçando uma base política já consolidada na região.
O que impulsiona ambos, no entanto, vai além das alianças formais. Braga e Germano entram na disputa ancorados no capital político acumulado à frente das prefeituras. A estratégia é clara: transformar gestão em voto, explorando a visibilidade construída como gestores e ocupando espaços que tendem a se abrir com a movimentação de deputados rumo a outros cargos.
Em um cenário de rearranjo político, os dois ex-prefeitos apostam que a vitrine municipal pode ser o trampolim ideal para voos mais altos — e que a memória do eleitor, quando bem trabalhada, ainda é um ativo poderoso nas urnas.
