Deputado Arlen Santiago defende reforço aos hospitais mineiros
O presidente da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), deputado Arlen Santiago (MDB), liderou nesta terça-feira (23) a reunião de prestação de contas da Secretaria de Estado de Saúde (SES), marcada por cobranças sobre a defasagem da tabela do Sistema Único de Saúde (SUS), a demora na realização de exames e cirurgias, o funcionamento da Central de Operações para Regulação Estadual (Core-MG) e o subfinanciamento dos hospitais mineiros.
Ao abrir os debates, Arlen Santiago voltou a cobrar a revisão dos valores pagos pelo SUS, ressaltando que a defasagem compromete diretamente o atendimento à população e coloca em risco a sustentabilidade financeira das instituições hospitalares.
O parlamentar citou como exemplo a situação do Hospital Dilson Godinho, em Montes Claros, que recentemente enfrentou dificuldades para manter o atendimento em mastologia devido ao baixo valor pago pelo SUS, de apenas R$ 10 por consulta, obrigando a instituição a complementar os custos com recursos próprios.
“Os hospitais não estão mais dando conta. Só nos resta pedir mais orçamento por parte do Estado, porque do Governo Federal não esperamos mais nada”, afirmou Arlen Santiago.
O presidente da Comissão também chamou atenção para a demora na realização de mamografias no Norte de Minas, alertando que o atraso no diagnóstico pode comprometer o tratamento de pacientes com câncer.
“A demora mata. É preciso cuidar na hora certa. A paciente faz a consulta e não sabe onde vai fazer a mamografia“, criticou.
Em resposta, o secretário de Estado de Saúde, Fábio Bacheretti, reconheceu que a baixa remuneração em algumas especialidades dificulta a prestação dos serviços. Segundo ele, o Governo de Minas estuda alternativas para aumentar o chamado “tíquete médio” dos procedimentos oncológicos, ampliando a oferta sem comprometer outras áreas da assistência.
Durante a reunião, Bacheretti apresentou um balanço das ações da pasta desde 2021, destacando investimentos de R$ 11,8 bilhões na saúde em 2025, a ampliação da cobertura da Atenção Primária, a expansão das Unidades Básicas de Saúde (UBSs), o fortalecimento da Estratégia Saúde da Família e o aumento da participação do Estado no financiamento do Samu.
Core-MG também foi alvo de questionamentos
Outro tema que dominou a audiência foi o funcionamento da Central de Operações para Regulação Estadual (Core-MG), novo sistema de regulação de vagas implantado em maio deste ano.
Parlamentares relataram problemas como demora na liberação de vagas, falhas operacionais e dificuldades no encaminhamento de pacientes. O deputado Lucas Lasmar (Rede) chegou a afirmar que seu gabinete identificou mais de dez mortes supostamente relacionadas a problemas no sistema.
Fábio Bacheretti rebateu as críticas, afirmou que o Core-MG tem sido alvo de desinformação e garantiu que o novo modelo trouxe mais transparência e reduziu o tempo médio de espera por vagas, de 2h45 para 1h30. O secretário também solicitou o encaminhamento das denúncias para apuração.
Judicialização e acesso aos serviços
Outros deputados aproveitaram a prestação de contas para apresentar demandas regionais. Carlos Pimenta (PSB) defendeu a incorporação de medicamentos à base de cannabis medicinal no SUS estadual e melhorias nos serviços de transplantes. O vice-presidente da Comissão de Saúde, Doutor Wilson Batista (PSD), cobrou medidas para reduzir a judicialização da saúde e ampliar o acesso a exames como colonoscopia.
Também foram debatidas as diferenças na oferta de serviços entre as regiões do Estado, especialmente em cidades do interior, além dos impactos da abertura do Hospital Regional de Teófilo Otoni.
Ao final da reunião, o secretário reafirmou o compromisso da Secretaria de Estado de Saúde em aprimorar os serviços, ampliar o atendimento e buscar soluções para os principais desafios apontados pelos parlamentares, especialmente aqueles relacionados ao financiamento do SUS e ao acesso da população aos serviços especializados.
