185 anos de história: Festas de Agosto reúnem tradição, cultura e turismo
“Para o ano eu voltarei pra cumprir nova missão.” A canção entoada por marujos, catopês e caboclinhos sintetiza, como poucas palavras, o espírito das Festas de Agosto: uma missão secular, uma tradição viva que toma conta de Montes Claros assim que sopram os primeiros ventos do mês e que revela, com força e brilho, a alma e a cultura do seu povo.
Este ano, mais uma vez, a missão foi cumprida. Ao longo de cinco dias, marujos, catopês e caboclinhos saíram às ruas mantendo vivo o legado recebido de seus antepassados, que se renovam a cada geração. Entre danças, cantos, o som dos tambores e das violas e o brilho das vestimentas coloridas, o centro da cidade se transformou em um vibrante espaço de fé, cultura e devoção. Os tradicionais cortejos seguiram em homenagem a Nossa Senhora do Rosário, São Benedito e ao Divino Espírito Santo, percorrendo a cada dia o caminho que leva à Igrejinha do Rosário e à Praça da Matriz. Houve também os momentos mais solenes e profundos de espiritualidade, o Levantamento dos Mastros. E ao lado dos ritos sagrados, a Praça da Matriz foi palco de uma programação ampla e gratuita, com shows musicais, sessões de cinema, oficinas, apresentações de capoeira e exposições de arte, que uniu fé, festa e criação.
“É um momento muito especial, tempo de honrar a memória dos nossos antepassados e de zelar pela nossa cultura. É um dever desta geração, que precisa passar este legado adiante. Ver todos os ternos reunidos, em comunhão, louvando e pedindo bênçãos para toda a cidade, a emoção fica à flor da pele!”, conta Clayton Cruz, contramestre da 1ª Marujada do Mestre Nenenzinho.
Tudo isso, os ternos que desfilam, a cidade enfeitada, a história viva nas ruas, atrai visitantes de todas as regiões de Minas Gerais, de todo o Brasil e até do exterior. E traz de volta, sobretudo, os montes-clarenses que moram longe, que voltam para matar saudades, para reviver memórias de infância e para sentir de perto aquilo que carregam com orgulho. Entre os que retornaram este ano esteve a cantora Marina Sena, que não hesitou em integrar os cortejos e participar do Levantamento dos Mastros. “Estar aqui, participar das Festas, ver os catopês e os marujos trazendo tanta alegria e bênção, é maravilhoso. O que eles fazem todos os anos é belíssimo. Eles são o coração da Festa, a sua verdadeira beleza”, declarou emocionada.
Para muitos, as Festas de Agosto são o tempo em que a cidade se veste inteira de cultura, e o olhar do povo se volta para as raízes e para a arte feita por suas próprias mãos. É assim com a artista plástica Fernanda Lima, que expunha e vendia suas obras na loja de lembranças do Centro de Atendimento ao Turista, instalado no histórico Sobrado Versiani-Maurício. “As Festas de Agosto transformam Montes Claros numa grande obra de arte. As ruas se enchem de cor, tudo fica mais belo. As pessoas passam a olhar com mais atenção para a arte, levam uma peça como lembrança ou presente, e valorizam mais o nosso artesanato. Sinto também que este clima nos inspira e nos faz criar mais. É bom para todos!”, avalia.
Quem assistiu ao Festival Folclórico, com suas apresentações de grupos folclóricos, capoeira e variadas manifestações, percebe que se trata não apenas de preservar o que herdamos, mas também de valorizar quem faz cultura hoje. “As apresentações foram belíssimas, a organização também. Amei cada momento. Voltarei com certeza no ano que vem, com grandes expectativas, vejo que a cada ano a Festa se torna ainda mais bonita”, compartilhou Artur, participante do evento.
E o impacto vai além do sentimento e da fé, é também um dos momentos mais importantes e movimentados do ano para a economia local. As Festas consolidam Montes Claros como destino de turismo cultural e religioso, e aquecem toda a rede de serviços. Hotéis e pousadas registraram alta ocupação, e bares e restaurantes sentiram o aumento no movimento e no consumo.
Entre os turistas que viveram a experiência pela primeira vez estava Luiz Fernando, vindo de Belo Horizonte. Ele não poupou elogios: “É impressionante a beleza, a riqueza e a alegria desta Festa, que completa 185 anos, e do Festival, com seus 46 anos. Pude acompanhar de perto os marujos, os catopês, os caboclinhos. É uma festa viva, colorida, feita com e para o povo. E conta com uma estrutura excelente para receber a gente. Com certeza voltarei!”.
Com quase dois séculos de existência, as Festas de Agosto são muito mais do que uma tradição, são a identidade de Montes Claros, gravada no peito e nas ruas. São patrimônio e memória, respeito ao passado e celebração do presente. E o Festival Folclórico, que chega perto de meio século, soma-se a este brilho, trazendo a voz dos artistas da terra, a arte em todas as suas formas, e o sopro das raízes que fazem desta cidade o que ela é.
