Divisão do horário eleitoral revela vantagem dos partidos maiores

 Divisão do horário eleitoral revela vantagem dos partidos maiores

A campanha eleitoral de 2026 ganha corpo na próxima sexta-feira, 28 de agosto, quando começa oficialmente o horário gratuito de propaganda eleitoral no rádio e TV, e a primeira medida da nova disputa já revela um cenário de concentração de poder: a federação formada por União Brasil e PP vai dominar o maior espaço de tempo destinado à propaganda de candidatos à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Os números não mentem: nas janelas coletivas exibidas em bloco pelas emissoras, a coligação terá 2 minutos e 23 segundos por transmissão na disputa por vagas em Brasília, e 1 minuto e 43 segundos na corrida estadual — uma fatia que deixa claro quem chega à campanha com o megafone mais amplificado.

O rateio não é obra do acaso: segue a regra que leva em conta o número de representantes de cada partido na Câmara dos Deputados, com uma parcela inicial igualitária de cerca de 6 segundos na esfera federal e 4 segundos na estadual, e o restante repartido proporcionalmente. Na prática, isso significa que quem já detém poder ganha mais espaço para se apresentar, aprofundando uma desigualdade estrutural que marca o sistema eleitoral brasileiro: o tempo de propaganda não é um direito equilibrado, mas um privilégio que reflete o peso político de cada agremiação.

Em segundo lugar, aparece o PL, partido de Flávio Bolsonaro, que terá 2 minutos e 15 segundos na disputa federal e 1 minuto e 37 segundos na estadual — quase empatado com a liderança, formando um grupo de força que, junto com a União Brasil-PP, concentrará quase metade do tempo disponível nas transmissões em bloco. Em seguida, vem a federação PT-PCdoB-PV, com 1 minuto e 52 segundos para a Câmara e 1 minuto e 21 segundos para a ALMG, mantendo-se como a principal força de esfera nessa divisão.

Abaixo, a distância começa a crescer de forma acentuada. O PSD aparece com 1 minuto e 1 segundo na disputa federal e apenas 44 segundos na estadual. MDB e Republicanos protagonizam um empate curioso: 1 minuto cada na Câmara e 43 segundos na Assembleia, ficando já bem atrás das três primeiras forças. A partir daí, o encolhimento é ainda mais drástico: Podemos terá 32 segundos na esfera federal; a federação PSDB-Cidadania, 29 segundos; o PDT, 26 segundos; Psol-Rede e PSB, 25 segundos cada; a federação PRD-Solidariedade, 21 segundos; e o Avante fecha a lista com apenas 15 segundos. Na divisão estadual, a lógica se repete, com os mesmos partidos em posições semelhantes, mas com tempos proporcionalmente menores: o Avante, por exemplo, terá só 10 segundos por bloco — espaço insuficiente até para apresentar um programa de governo de forma minimamente completa.

É importante destacar que esses valores se referem exclusivamente às propagandas exibidas em bloco, nas janelas coletivas das emissoras. Não entram na conta as inserções espalhadas ao longo da programação, que obedecem a regras próprias e podem amplificar ainda mais os partidos com maior capacidade de articulação e recursos. O resultado é um quadro em que a campanha que chega ao ouvinte mineiro já nasce desigual: os maiores partidos levam vantagem de sobra para apresentar seus nomes, repetir suas mensagens e ocupar a atenção do eleitor, enquanto legendas menores lutam com segundos contados para se fazer entender. A disputa começa com o tempo — e com o poder — pesando desproporcionalmente em favor de quem já estava dentro.

 

 

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