Centro de Excelência Sertão conta com quatro pilares: inteligência artificial, bioeconomia e biodiversidade no semiárido

 Centro de Excelência Sertão conta com quatro pilares: inteligência artificial, bioeconomia e biodiversidade no semiárido

O Centro de Excelência no Semiárido – Sertão, implantado pela Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), no valor de R$ 20 milhões, foi construído com base em quatro pilares fundamentais: Inteligência Artificial (IA) e Internet das Coisas (IoT); Bioeconomia no Semiárido; Agroeconomia no Semiárido; e Biodiversidade no Semiárido.

“Este centro é mais do que um espaço físico. É um símbolo de esperança, inovação e resiliência. Representa a materialização de um sonho que começou há muitos anos, quando um grupo de visionários olhou para o semiárido e enxergou não apenas os desafios, mas também as oportunidades. Hoje, esse sonho se torna realidade”, afirmou o coordenador de Parcerias e Prospecção do Centro de Excelência – Sertão, professor e pesquisador Marcos Flávio Silveira Vasconcelos D’Angelo, do Departamento de Ciências da Computação e do Programa de Pós-Graduação em Modelagem Computacional e Sistemas (PPGMCS).

Durante a solenidade de lançamento do Centro Sertão, realizada na noite de terça-feira (25/03) no salão de Eventos da 11ª subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Montes Claros, o professor Marcos Flávio apresentou os principais objetivos do projeto.

Ele destacou as potencialidades do semiárido, que abrange o Norte de Minas. “O semiárido brasileiro é uma região de contrastes. De um lado, enfrentamos a escassez de água, o clima árido e dificuldades econômicas. De outro, encontramos uma riqueza imensa em biodiversidade, uma cultura vibrante e um povo que, apesar de todas as adversidades, nunca perdeu a esperança”, comentou.

“O semiárido não é uma terra pobre; é uma terra que ainda não foi completamente compreendida. E é aqui que entra o Centro de Excelência chamado Sertão. Este centro nasce com a missão de desvendar os segredos do semiárido, de transformar desafios em oportunidades e de mostrar ao mundo que esta região tem muito a oferecer”, completou.

O professor e pesquisador da Unimontes assegurou que a meta do Sertão é ser reconhecido, até 2030, como “o principal centro de excelência no semiárido no Brasil”. “Mas o que isso significa? Significa que queremos ser referência em pesquisa, inovação e desenvolvimento sustentável. Queremos ser o lugar onde as melhores mentes se reúnem para encontrar soluções para os problemas mais complexos”, concluiu.

Parceiros

Ele também mencionou os principais parceiros da Unimontes na implantação e manutenção do centro de estudos de excelência: Fapemig, Petrobras Biocombustíveis, Banco do Nordeste, Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf), Sebrae, Prefeitura de Montes Claros, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Instituto Federal do Norte de Minas Gerais (IFNMG) e a empresa Amig3 Participações e Investimentos Ltda.

“O Centro de Excelência Sertão é um projeto da Universidade Estadual de Montes Claros, mas ele não pertence apenas à universidade. Ele pertence a todos nós. É um espaço de colaboração, onde academia, setor privado, governo e sociedade civil se unem em prol de um objetivo comum: o desenvolvimento sustentável do semiárido”, enfatizou o professor Marcos Flávio.

Durante a solenidade, o prefeito de Montes Claros, Guilherme Guimarães, também ressaltou a importância da criação do Centro Sertão e destacou a relevância da interação entre a universidade e outras instituições, além do setor produtivo.

O presidente da Sagatech Tecnologia, Antônio Fábio Andrade Santos, abordou a parceria realizada entre a empresa e a Unimontes, que resultou na construção de um prédio para abrigar dois laboratórios de tecnologia de ponta. Com um investimento de R$ 1 milhão, os laboratórios serão dedicados à conservação dos recursos hídricos.

A representante da Acelen Renováveis, Maria Thereza Batista, também se pronunciou. A empresa formalizou uma parceria com a Unimontes para utilizar tecnologia desenvolvida pela universidade na germinação de sementes de macaúba, dentro de um projeto instalado em Montes Claros. O objetivo é produzir dois tipos de biocombustíveis a partir do óleo do coco de macaúba: o biodiesel renovável, conhecido como diesel verde (HVO), que pode ser utilizado em automóveis de pequeno porte, e o Combustível Sustentável da Aviação (SAF), destinado à indústria aeronáutica.

Impactos e desafios

A atuação do Centro Sertão será essencial para monitorar e desenvolver estratégias sustentáveis na região do semiárido mineiro, que abrange 209 municípios, conforme levantamento da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). Com um ecossistema rico em cultura e agricultura, mas também repleto de desafios socioeconômicos, o Centro buscará integrar diferentes setores da sociedade, incluindo prefeituras, empresas e organizações não governamentais.

O objetivo é realizar pesquisas aplicadas que resolvam problemas reais da população e promovam o desenvolvimento econômico da região. Para isso, a Unimontes buscou parcerias com empresas, órgãos públicos e entidades.

Dentre as iniciativas do Centro Sertão, destacam-se o monitoramento ambiental via imagens de satélite e a criação de modelos preditivos para o uso da terra. Os pesquisadores pretendem gerar cenários futuros que permitam antecipar e mitigar impactos ambientais.

Perspectivas para o futuro

Nos próximos cinco anos, a expectativa é tornar o Centro Sertão uma referência em excelência em pesquisas sobre o semiárido no Brasil. A meta é fomentar a criação de empresas, ampliar a colaboração com instituições nacionais e internacionais e garantir que os estudos desenvolvidos possam ser aplicados em larga escala, gerando impacto econômico, social e ambiental para toda a região. Com a integração entre universidades, municípios, setor produtivo e comunidades locais, espera-se que o Sertão não apenas produza conhecimento, mas também transforme a realidade do semiárido mineiro, assegurando um futuro mais sustentável para a população em geral. (Ascom Unimontes – Foto: Neto Macedo)

A pedido do MPMG, Justiça condena traficante de animais silvestres a pagar R$ 3 milhões para compensar danos ao meio ambiente

Condenado mantinha um cativeiro com mais de 200 aves silvestres protegidas pela legislação ambiental, entre elas, Arara-Canindé (Ara ararauna), Papagaio-Verdadeiro (Amazona aestiva), Trinca Ferro (Saltador Similis) e Sofrê (Icterus Jamaicaii)

Atendendo a pedido do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), feito em Ação Penal, ajuizada por meio da 2ª Promotoria de Justiça de Januária, no Norte de Minas, a Justiça condenou um traficante de animais silvestres à pena privativa de liberdade e à compensação de danos ao meio ambiente em valor superior a R$ 3 milhões.

O traficante mantinha um cativeiro com mais de 200 aves silvestres protegidas pela legislação ambiental, entre elas, Arara-Canindé (Ara ararauna), o Papagaio-Verdadeiro (Amazona aestiva), Trinca Ferro (Saltador Similis) e Sofrê (Icterus Jamaicaii).

As investigações constataram que os animais viviam em condições inadequadas em ambiente com forte odor de fezes, ventilação inadequada, ausência de alimentação e hidratação suficientes para a sobrevivência das aves. Conforme informações do processo, “os animais estavam confinados em um espaço reduzido e amontoados, sem qualquer estrutura que lhes garantisse bem-estar mínimo.”

De acordo com o exame pericial, foram identificados “sinais evidentes de maus-tratos, como perda de penas, sinais de mutilação, ferimentos e estado de extrema magreza, demonstrando que os animais vinham sendo submetidos a tratamento cruel de forma prolongada”.

Segundo decisão judicial, “o tráfico e confinamento inadequado de espécies selvagens comprometem os ecossistemas naturais e favorecem a disseminação de doenças, o que justifica uma interpretação mais rigorosa da norma penal e a imposição de uma sanção proporcional à gravidade da infração”.

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