ELEIÇÃO 2026: Interesse em campanha sim, em debate não: a inversão de 2026
Houve um tempo em que o debate eleitoral era considerado um divisor de águas. Era o momento em que o discurso de campanha encontrava a prova de fogo, projetos eram confrontados, convicções testadas e o eleitor tinha a oportunidade de comparar, ao vivo, quem pretendia governar Minas. Em 2026, porém, essa tradição parece estar ganhando um novo ingrediente: a cadeira vazia.
No debate promovido pela Record Minas na segunda-feira, 21 de setembro, o que deveria reunir os principais candidatos ao Governo de Minas acabou reduzido a apenas dois participantes: Mateus Simões, do PSD, e Gabriel Azevedo, do MDB. Cleitinho Azevedo, do Republicanos, Alexandre Kalil, do PDT, Patrus Ananias, do PT, e Flávio Roscoe, do PL, não compareceram. Roscoe justificou sua ausência por motivos de saúde.
E aí está o ponto que merece nossa reflexão. O debate eleitoral não deveria ser apenas mais um compromisso na agenda do candidato. É uma das poucas oportunidades em que o eleitor pode acompanhar o confronto direto de propostas, ouvir respostas sem a edição dos marqueteiros e observar como cada concorrente reage quando a pergunta aperta.
Na Band, em 16 de agosto, cinco candidatos estiveram presentes: Kalil, Cleitinho, Roscoe, Gabriel e Simões. Patrus ficou de fora.
Na Record, o cenário se inverteu e o eleitor acabou recebendo um debate pela metade.
Pode haver estratégia eleitoral, compromissos já agendados e justificativas legítimas, e no caso de Roscoe, uma questão de saúde. Tudo isso merece respeito. Mas permanece uma pergunta incômoda: até que ponto faltar ao debate é uma decisão de campanha e até que ponto é abrir mão de prestar contas diretamente ao eleitor?
A campanha pode acontecer nas redes sociais, em vídeos cuidadosamente editados, em discursos ensaiados e em reuniões fechadas. Mas governar Minas Gerais será, inevitavelmente, enfrentar perguntas difíceis, responder a cobranças públicas e dialogar com adversários cara a cara.
Quando os candidatos se afastam do palco, fica para o eleitor uma inversão curiosa: muita propaganda, muito discurso e pouco confronto real.
No fim das contas, o debate aconteceu. Só que, desta vez, algumas das cadeiras mais importantes estavam vazias. E uma cadeira vazia, em política, também diz algo. Cabe ao eleitor decidir o quê.
