ELEIÇÃO 2026: “paraquedistas” voltam a mirar o Norte de Minas e já disputam território eleitoral
Por Arthur Amorim Jr. (by Norticiando)
Foi dada a largada para mais uma corrida rumo a uma das 53 cadeiras de Minas Gerais na Câmara dos Deputados. E o Norte de Minas, mais uma vez, entra na rota dos chamados “deputados paraquedistas” — políticos que surgem em tempos de campanha, aterrissam nos municípios, conquistam milhares de votos e, passada a eleição, desaparecem do cotidiano da região, sem deixar rastros proporcionais ao capital político conquistado nas urnas.
A prática não é novidade, mas os números da última eleição escancaram um cenário que volta a preocupar lideranças locais: em várias cidades norte-mineiras, candidatos sem vínculos históricos ou atuação permanente na região foram protagonistas absolutos, superando nomes locais e drenando uma fatia significativa dos votos que poderia fortalecer a representatividade regional em Brasília.
Alguns desses parlamentares já ganharam até o apelido informal de “paraquedistas de estimação”, repetindo desempenhos expressivos eleição após eleição, sustentados por padrinhos políticos, dobradinhas eleitorais, influência digital, bases religiosas ou articulações silenciosas que funcionam com precisão cirúrgica.
Montes Claros: Nikolas liderou entre os “de fora”
Maior colégio eleitoral do Norte de Minas, Montes Claros mostrou o peso desse fenômeno. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL) foi o campeão entre os nomes considerados externos à política regional, conquistando 22.645 votos (10,87%). Bem atrás, apareceram Coronel Leal (PRTB), com 3.465 votos (1,66%), Célia Xakriabá (PSOL), com 3.012 votos (1,45%), e Rogério Correia (PT), que recebeu 2.665 votos (1,28%).
Janaúba: um verdadeiro atropelo eleitoral
Em Janaúba, o desempenho de Diego Andrade (PSD) chamou atenção pela dimensão do domínio eleitoral. O parlamentar obteve 11.509 votos (31,54%), um percentual avassalador, transformando a disputa em praticamente um monólogo político. Na sequência apareceram Farley Frederico (PL), com 3.019 votos (8,27%), e Nikolas Ferreira (PL), com 2.056 votos (5,64%).
Januária, Pirapora, Salinas e São Francisco: força dos votos “importados”
Em Januária, a então deputada Nely Aquino (Podemos) dominou o cenário com 7.656 votos (23,33%), enquanto Padre João (PT) alcançou 3.305 votos (10,07%).
Já em Pirapora, Nikolas Ferreira (PL) também mostrou força ao liderar entre os nomes de fora, com 4.361 votos (16,21%), seguido de Samuel Viana (PL), que somou 3.598 votos (13,38%), e Fred Costa (Patriotas), com 1.642 votos (6,10%).
Em Salinas, Dr. Mário Heringer (PDT) puxou a fila ao conquistar 4.241 votos (19,09%), seguido por Nikolas Ferreira (PL), com 1.792 votos (8,06%), e Igor Timo (Podemos), com 1.458 votos (6,56%).
Já em São Francisco, Paulo Guedes (PT) demonstrou forte capilaridade eleitoral ao alcançar 6.965 votos (26%). Em seguida vieram Paulo Abi-Ackel (PSDB), com 1.695 votos (6,33%), Samuel Viana (PL), com 1.435 votos (5,36%), e Luis Tibé (Avante), que registrou 1.189 votos (4,44%).
O fenômeno se espalha pelo interior
Outras cidades também revelaram a força dos candidatos sem raízes políticas locais:
• Bocaiúva: Luis Tibé (Avante) recebeu 2.498 votos (9,77%), Nikolas Ferreira (PL) 1.854 votos (7,25%) e Lafayette Andrada (Republicanos) 1.466 votos (5,73%);
• Brasília de Minas: Nikolas Ferreira (PL) obteve 1.191 votos (6,58%), enquanto Samuel Viana (PL) registrou 1.026 votos (5,67%);
• Jequitaí: Nely Aquino (Podemos) impressionou com 1.589 votos (38,34%), um domínio eleitoral expressivo;
• Manga: Pinheirinho (Progressistas) recebeu 993 votos (9,20%);
• Taiobeiras: Nikolas Ferreira (PL) liderou entre os nomes externos com 1.421 votos (7,68%), seguido de Domingos Sávio (PL), com 1.295 votos (7%).
A menos de três meses do início oficial da campanha, a pergunta que já circula nos bastidores políticos é inevitável: o Norte de Minas continuará exportando votos e fortalecendo projetos políticos de fora ou conseguirá consolidar lideranças verdadeiramente comprometidas com as demandas regionais?
Se a eleição passada servir de termômetro, uma coisa parece certa: os “paraquedistas” já começaram a aquecer os motores — e a disputar, novamente, um eleitorado que historicamente costuma abrir as portas e as urnas.
