Epamig capacita produtores de Bocaiuva para ampliar cultivo de arroz em terras altas

 Epamig capacita produtores de Bocaiuva para ampliar cultivo de arroz em terras altas

Encontro na comunidade de Machados apresentou tecnologias de produção, novas cultivares e alternativas para recuperar uma atividade tradicional da agricultura familiar na região

Produtores rurais de Machados e de comunidades vizinhas participaram, nesta quinta-feira, 1º de outubro, de uma capacitação sobre tecnologias voltadas ao cultivo de arroz em terras altas. O encontro foi realizado pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), em parceria com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG) e a Prefeitura de Bocaiuva.

Realizada na comunidade de Machados, na zona rural do município, a atividade teve como objetivo apresentar aos agricultores conhecimentos e alternativas tecnológicas para a retomada e a expansão da produção de arroz na região. Entre os assuntos abordados estiveram o melhoramento genético do arroz de terras altas, tratamento e correção de solos, adubação, controle de pragas e doenças, manejo de herbicidas e a importância da cultura para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

Segundo o extensionista da Emater-MG, Iran Ferreira Leite Júnior, o encontro atende a uma demanda de comunidades que tradicionalmente cultivam arroz, mas que tiveram redução da produção nos últimos anos, principalmente em razão das condições climáticas. “Essa região de Machados, Pedregulho e Patrona sempre trabalhou com arroz na agricultura familiar. Nos últimos anos, a área de plantação diminuiu por causa da falta de chuva”, explicou.

De acordo com o extensionista, as pesquisas desenvolvidas pela Epamig com variedades adaptadas ao cultivo em terras altas podem representar uma alternativa para os agricultores locais. “A Epamig tem pesquisado um arroz para ser plantado nas terras altas, então veio a calhar essa pesquisa com a necessidade dos agricultores daqui da região”, afirmou Iran.

A proposta é que, a partir dos conhecimentos apresentados durante a capacitação, os produtores possam avaliar a implantação de unidades demonstrativas nas próprias comunidades. A iniciativa permitiria observar, em condições locais, o desempenho das tecnologias e das cultivares apresentadas pela pesquisa.

Resgate de uma tradição

Para os agricultores, a possibilidade de retomar o cultivo também representa a preservação de uma atividade que atravessa gerações.

Irllei, produtor da comunidade de Patrona, destacou a importância da orientação técnica recebida durante o encontro e a intenção de voltar a produzir arroz na região. “Nós trabalhamos com o plantio do arroz desde nossos avós e queremos continuar a plantar e produzir”, afirmou.

Segundo ele, as informações apresentadas pela Epamig podem ajudar os produtores a identificar alternativas para recuperar uma cultura considerada importante para as comunidades rurais.

Tecnologia para o cultivo em terras altas

A capacitação integra as ações do programa Semear Arroz, apresentado aos produtores pelo coordenador de Difusão de Tecnologia da Epamig, Kellson Tolentino.

De acordo com o pesquisador, a proposta é oferecer aos agricultores uma alternativa de produção que não dependa exclusivamente de áreas de várzea ou de terrenos permanentemente úmidos.

“A grande novidade nesse projeto é trazer um arroz que os produtores possam cultivar mesmo sem ser em várzeas úmidas, fortalecendo a agricultura no estado, fortalecendo o pequeno produtor e, sobretudo, fortalecendo essa parceria entre o Estado, através da Epamig e Emater, e a Prefeitura de Bocaiuva”, explicou Kellson.

A iniciativa busca aproximar os resultados da pesquisa agropecuária da realidade dos agricultores, levando informações sobre sementes, manejo e tecnologias que possam ser incorporadas aos sistemas produtivos das propriedades familiares.

Produção local e alimentação escolar

Além da possibilidade de diversificação e geração de renda para os agricultores, a retomada do cultivo de arroz também é vista como uma oportunidade para ampliar a oferta de alimentos produzidos na própria região.

Pedro Amauri de Oliveira, presidente da Cooperativa Agropecuária de Engenheiro Dolabela Projeto de Assentamento Betinho (Cooperdola), destacou o interesse dos produtores em recuperar a produção no assentamento e utilizar novas tecnologias para aumentar a eficiência do cultivo. “A gente tem interesse de resgatar a cultura do arroz no assentamento, plantar novamente, mas plantar com as novas tecnologias, novas sementes, novos cultivares de arroz, para abastecer o mercado local, e até fornecer para o próprio município, que muitas vezes precisa comprar de outras regiões para a alimentação escolar”, afirmou.

A relação com o PNAE foi um dos temas abordados durante a capacitação. A produção da agricultura familiar destinada à alimentação escolar pode aproximar produtores e consumidores e criar mercados para os alimentos cultivados no próprio município e na região.

Para os organizadores, a capacitação representa uma etapa de aproximação entre pesquisa, assistência técnica, poder público e produtores rurais. A expectativa é que o conhecimento compartilhado possa contribuir para a implantação de experiências de cultivo e para a avaliação de novas possibilidades de produção de arroz em áreas de terras altas.

Ao levar tecnologias e informações diretamente às comunidades rurais, a iniciativa também reforça o papel da pesquisa e da assistência técnica na busca por alternativas diante dos desafios enfrentados pela agricultura familiar, especialmente em regiões sujeitas à irregularidade das chuvas. (Jornalista Jerusia Arruda)

 

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