Filho que matou o pai é condenado a 12 anos de prisão

 Filho que matou o pai é condenado a 12 anos de prisão

Uma cena que chocou toda a cidade há mais de um ano teve um desfecho nesta quinta-feira, no Fórum Gonçalves Chaves. Bruno Gonçalves de Souza, de 29 anos, foi condenado a 12 anos de reclusão, em regime fechado, pela morte do próprio pai, o empresário Walas Rodrigues de Souza, de 49 anos.

O dia que mudou tudo

Era a noite de 31 de março de 2025. Walas chegava ao seu estabelecimento no centro da cidade, como fazia todos os dias, acompanhado da companheira. O que ele não imaginava é que o seu próprio filho já estava ali, esperando por ele há horas, armado e escondido.

Pouco tempo depois, quando ele saiu em direção ao estacionamento, os disparos ecoaram pelo local. Seis tiros atingiram o empresário, que não teve chance de se defender. A chegada do SAMU não foi suficiente para salvá-lo: ele morreu ali mesmo, diante de pessoas que só conseguiam assistir horrorizadas.

Tudo começou em divergências que pareciam comuns: questões financeiras e desentendimentos sobre uma sociedade em uma empresa que havia fechado as portas meses antes. O que deveria ser resolvido com conversa virou uma tragédia sem volta.

A fuga e a prisão

Logo depois de cometer o crime, Bruno fugiu. Mas não teve muito tempo para correr: poucas horas depois, ele foi encontrado em um hotel na saída da cidade, rumo a Belo Horizonte. Foi preso sem resistência, e a arma usada no crime foi recuperada pelas equipes. Na época, ele chegou a dizer que teria agido por medo, alegando ameaças do pai — mas nada disso foi confirmado pelas provas que foram levantadas ao longo da investigação.

Para quem conhecia Walas, conhecido na região como o “rei dos recicláveis”, a notícia da morte foi ainda mais difícil de aceitar: um homem que construiu sua história com trabalho honesto, que tinha uma vida tranquila e que era respeitado por todos que com ele conviviam.

O veredicto

Durante o julgamento, a defesa tentou provar que ele teria agido em legítima defesa, mas não conseguiu apresentar provas que sustentassem essa versão. O Ministério Público lembrou, em seu pronunciamento, da crueldade de se armar uma emboscada contra quem lhe deu a vida, esperando o momento exato para atacar.

A sentença foi lida por volta das 21h30. A Justiça entendeu que houve sim premeditação e uso de artifício para impedir que a vítima se defendesse. A pena é de 12 anos, em regime fechado. A família de Walas acompanhou tudo de perto e, ao final, disse apenas que espera que agora possam ter um pouco de paz, depois de tanto sofrer. A defesa ainda pode recorrer da decisão.

“Foi um ato que ninguém consegue entender. Pai e filho deviam se proteger, e não o contrário. A gente só espera que a justiça seja feita por completo”, disse um parente da vítima, emocionado.

 

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