Igreja histórica de Matias Cardoso inicia nova fase após restauração

 Igreja histórica de Matias Cardoso inicia nova fase após restauração

Após séculos resistindo ao tempo e a intervenções que ameaçaram sua integridade, a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Imaculada Conceição, em Matias Cardoso, no Norte de Minas, começa a ganhar um novo capítulo em sua longa história. Considerada uma das mais antigas do estado, a edificação, erguida entre 1670 e 1673 às margens do Rio São Francisco, teve a primeira etapa de sua restauração oficialmente entregue à população no último dia 29 de abril.

A obra foi viabilizada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), em parceria com o Instituto Joaquim Artes e Ofícios, dentro do programa Minas para Sempre. Os investimentos somam R$ 2,18 milhões, provenientes de medidas compensatórias, como multas e indenizações, aplicadas pelo próprio órgão.

A cerimônia contou com a presença de autoridades, entre elas o procurador-geral de Justiça, Paulo de Tarso Morais Filho, que destacou o papel do Ministério Público na preservação do patrimônio histórico. Segundo ele, a atuação vai desde a fiscalização e exigência de medidas preventivas até a destinação de recursos para garantir a recuperação de bens culturais. “A destinação de recursos para finalidades sociais é uma das atribuições mais nobres do nosso trabalho, e aqui vemos um resultado concreto dessa atuação”, afirmou.

A intervenção realizada nesta primeira fase concentrou-se em medidas emergenciais para conter o avanço da deterioração. Foram corrigidos problemas na cobertura, modernizadas as instalações elétricas, implantado um sistema de proteção contra descargas atmosféricas e realizados trabalhos de recuperação estrutural e de revestimentos.

Símbolo da formação histórica da região, a igreja foi tombada em 1954 pelo então Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. À época, o reconhecimento teve parecer favorável de nomes como Carlos Drummond de Andrade e Lúcio Costa, que destacaram o valor histórico e arquitetônico do templo, ligado ao processo de ocupação do interior do Brasil.

Ao longo dos anos, no entanto, o patrimônio enfrentou diversas ameaças. Uma das mais recentes ocorreu em 2018, quando o Ministério Público obteve na Justiça a retirada de uma torre com antenas de internet instalada nas proximidades da igreja, considerada prejudicial ao conjunto arquitetônico e à paisagem. A empresa responsável foi condenada ao pagamento de indenização por danos morais coletivos.

Mais recentemente, em 2024, foi firmado um Termo de Compromisso para garantir recursos destinados às intervenções emergenciais, dando início ao atual processo de restauração.

Para o promotor de Justiça e coordenador da Coordenadoria Estadual de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico, Marcelo Maffra, preservar o patrimônio é preservar a própria identidade coletiva. “Esses bens contam a nossa história e ajudam a definir quem somos enquanto sociedade”, destacou.

A expectativa agora é pela continuidade das próximas etapas da restauração, que devem garantir não apenas a conservação do templo, mas também sua plena utilização pela comunidade local e visitantes.

 

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