LUTO NA IMPRENSA: Morre o radialista Zé Vicente
Os “hãm, hãm…”, o “tem gente na roça” e o inesquecível “gente da gente” agora ecoam como saudade. Bordões de José Vicente Medeiros — ou melhor, do nosso velho Zé Vicente — que marcaram gerações e acordaram Montes Claros por décadas. Radialista, artista e líder político, ele construiu uma trajetória que uniu comunicação popular e vida pública, sempre com raízes fincadas no povo.
A imprensa, a política e a música sertaneja do Norte de Minas perdem uma voz — e o povo, um pedaço de sua história — com sua morte, aos 84 anos, na noite de 5 de maio. Internado desde fevereiro após um aneurisma cerebral e operado em março, não resistiu.
Trajetória
Nascido em 26 de julho de 1941, na zona rural de Claraval, Zé Vicente levou do campo a essência que marcaria toda a sua vida. Foi violeiro, repentista, artesão e se consagrou no rádio, onde atuou por mais de 60 anos, tornando-se uma das vozes mais conhecidas do Norte de Minas.
Também teve presença na TV e na política: foi vereador por dois mandatos, vice-prefeito e assumiu a Prefeitura de Montes Claros por sete meses.
Na cultura, presidiu a Associação dos Repentistas e Poetas Populares ao lado de Téo Azevedo e percorreu cidades com o “Bola Show”, levando música e arte popular. Devoto, participou por quase 50 anos da Romaria do Senhor do Bonfim.
Pai de sete filhos, dizia não ter riqueza material, mas ser “rico de amigos”. Sua história foi registrada no livro “O Homem do an, an!”, escrito pelo filho Álvaro Vicente.
