“Não é mais um pedido, mas uma urgência”: CIMAMS faz cobrança pela duplicação na BR-251
A tragédia registrada na madrugada deste domingo (24), na BR-251, em Santa Cruz de Salinas, no Norte de Minas, voltou a expor os riscos de uma das rodovias mais perigosas do estado. A colisão frontal entre um ônibus interestadual e um caminhão-baú deixou oito mortos e nove feridos, reacendendo a cobrança por obras de duplicação e ampliação da via, defendidas pelo Consórcio Intermunicipal Multifinalitário da Área Mineira da Sudene (CIMAMS).
O acidente ocorreu por volta das 4h30, no km 234 da rodovia. Com a força do impacto, os veículos pegaram fogo, dificultando o resgate e agravando a ocorrência.
Segundo o Corpo de Bombeiros, 18 pessoas foram vítimas do acidente. Oito mortes foram confirmadas — cinco pessoas morreram carbonizadas, enquanto outras três tiveram os óbitos constatados ainda no local. Além disso, dez feridos foram socorridos e encaminhados a hospitais da região.
O ônibus seguia de São Bernardo do Campo (SP) para Aracaju (SE). Já o caminhão, carregado com rodas de veículos sem pneus, fazia o trajeto entre Fortaleza (CE) e Piracicaba (SP).
CIMAMS cobra urgência na duplicação

Diante da tragédia, o CIMAMS divulgou nota de pesar e voltou a cobrar investimentos estruturais na BR-251.
“Neste momento de dor, nos solidarizamos com os familiares, amigos e todos os envolvidos, desejando força e conforto diante dessa tragédia”, destacou o consórcio.
A entidade reforçou a necessidade da duplicação da rodovia e da ampliação de trechos críticos, apontando o histórico recorrente de acidentes graves, especialmente no Norte de Minas.
O presidente do CIMAMS, Adaildo Rocha, o Tampinha, relatou que passou pelo local do acidente na manhã deste domingo, durante deslocamento para a cobertura da Cavalgada de Rio Pardo de Minas, e se deparou com o cenário de destruição.
“A duplicação e mais segurança para a BR-251 não são mais um pedido, mas uma necessidade urgente. O CIMAMS segue nessa luta por vidas”, afirmou.
Duplicação confirmada, mas ainda distante
No ano passado, o CIMAMS reuniu lideranças políticas, empresariais, rurais e entidades regionais para lançar o movimento “BR-251 – Movimento pela Dignidade”, iniciativa que ajudou a sensibilizar o governo federal a ampliar o trecho previsto de duplicação de 24 para 42 quilômetros.
A duplicação da BR-251 foi incluída no pacote de concessão do lote Rota Gerais, leiloado à iniciativa privada em março deste ano. O contrato prevê cerca de 42 quilômetros de duplicação entre Montes Claros, Francisco Sá e Salinas, além de 138 quilômetros de terceiras faixas, melhorias no pavimento e intervenções em pontos críticos.
Ao todo, o pacote prevê mais de R$ 13 bilhões em investimentos em 735 quilômetros de rodovias. Apesar disso, as obras de duplicação só devem começar entre o 3º e o 8º ano do contrato, prazo considerado longo por lideranças regionais diante do aumento das mortes.
BR-251 registra aumento da letalidade em 2026

Os números reforçam o cenário de preocupação. Entre janeiro e maio de 2026, a BR-251 já soma cerca de 70 acidentes e 33 mortes em Minas Gerais, conforme levantamentos com base em dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e monitoramento regional de ocorrências.
O comparativo com 2025 revela um agravamento da situação. Durante todo o ano passado, foram registrados 271 acidentes e 51 mortes na rodovia em território mineiro. Em apenas cinco meses de 2026, a BR-251 já atingiu aproximadamente 65% do total de mortes registradas em todo o ano anterior, acendendo um alerta sobre o avanço da violência no trânsito.
A média mensal de fatalidades também cresceu. Em 2025, a rodovia registrou 4,2 mortes por mês. Em 2026, esse índice subiu para 6,6 mortes mensais até maio, um aumento de cerca de 57%.
Trechos mais perigosos
O Norte de Minas concentra alguns dos pontos mais críticos da BR-251. Francisco Sá lidera o número de ocorrências, com 16 acidentes, cinco mortes e 58 feridos nos primeiros meses do ano. Na sequência, aparece Grão Mogol, com 14 acidentes, uma morte e 27 feridos.
Os trechos de Salinas e Santa Cruz de Salinas têm se destacado pelas tragédias de grande impacto coletivo. Além do acidente deste domingo, outra ocorrência grave foi registrada em abril, quando uma colisão frontal entre um carro e um caminhão matou seis pessoas da mesma família, incluindo crianças.
Enquanto as obras não saem do papel, a BR-251 continua acumulando tragédias — e reforçando a pressão para que a prometida duplicação aconteça antes que novas vidas sejam perdidas. (Ascom/Cimams – Jornalista Arthur Amorim Júnior)
