Produtores de farinha de Santo Antônio da Vaca Preta avançam na criação de cooperativa

 Produtores de farinha de Santo Antônio da Vaca Preta avançam na criação de cooperativa

Com apoio do Sistema Ocemg, Sicoob Credinor e Fundação Credinor, comunidade rural de Cônego Marinho busca ampliar a comercialização da farinha de mandioca

Reconhecida na região pela qualidade da farinha de mandioca, a comunidade de Santo Antônio da Vaca Preta, na zona rural de Cônego Marinho, no extremo norte de Minas, começa a dar novos passos para organizar a produção local e ampliar as possibilidades de comercialização. A iniciativa parte dos próprios produtores, que trabalham na criação de uma cooperativa.

Nos dias 29 e 30 de setembro, moradores da comunidade participaram do segundo encontro voltado à estruturação do projeto. O trabalho conta com suporte técnico da Organização das Cooperativas de Minas Gerais (Ocemg), e com a participação do Sicoob Credinor, por meio da Agência de Januária, além do apoio da Fundação Credinor.

A consultora do Sistema Ocemg Cláudia Moura conduziu as atividades com os produtores. O encontro buscou identificar características da produção, pontos fortes, dificuldades enfrentadas no dia a dia e aspectos que precisam ser trabalhados para a construção de um diagnóstico que oriente os próximos passos da futura cooperativa.

Entre as questões apresentadas pelos moradores estão as dificuldades para escoar a produção, emitir nota fiscal para comercialização em determinados estabelecimentos, divulgar o produto e alcançar novos mercados. O transporte também aparece como um dos desafios. Santo Antônio da Vaca Preta está localizada a cerca de 87 quilômetros da sede de Cônego Marinho, município ao qual pertence.

Mesmo diante dessas limitações, a farinha produzida na comunidade já possui reconhecimento regional. De acordo com informações apresentadas pelos próprios produtores durante o encontro, a produção chega a aproximadamente 600 sacos por ano e pode ser ampliada caso haja uma estrutura capaz de dar vazão ao volume produzido e facilitar sua chegada a outros mercados.

Uma iniciativa dos produtores

Produtor de farinha e um dos principais mobilizadores da criação da cooperativa, José Roberto Muniz explica que a organização nasceu da percepção de que a própria comunidade precisa assumir um papel ativo na busca por novas oportunidades.

“Nós visamos uma melhoria na condição socioeconômica aqui de Vaca Preta, que está no extremo Norte de Minas. Enfrentamos muitas dificuldades e precisamos de um agente de desenvolvimento criado por nós mesmos, porque já estamos cansados de esperar algo de fora. Chegamos à conclusão de que temos que ser os próprios autores da mudança que queremos”, afirma.

Para José Roberto, a cooperativa pode ajudar principalmente na comercialização de um produto que já carrega a identidade da comunidade.

“Esperamos que essa cooperativa venha facilitar a comercialização da nossa farinha, que é um produto de destaque. Quando se fala em farinha de Vaca Preta, ela tem muito valor. Acreditamos que esse produto, que já tem reconhecimento aqui, também possa chegar a outros lugares”, completa.

O Sicoob Credinor acompanha a mobilização por meio da Agência de Januária, que já mantém relacionamento com produtores da comunidade. Para o gerente, João Lourenço, a criação da cooperativa abre espaço para um trabalho conjunto voltado às necessidades que surgirem durante o processo de organização.

“A Credinor já é parceira de produtores de Santo Antônio da Vaca Preta e conhece parte da realidade vivida por eles. Queremos estar próximos também neste momento, entendendo as necessidades e contribuindo, dentro da nossa atuação, para que essa organização avance e gere novas possibilidades para quem produz aqui”, destaca.

A coordenadora de Cidadania e Sustentabilidade da Credinor, Izabel Muniz, ressaltou a participação da Fundação Credinor, que apoiará o projeto desenvolvido na comunidade. Segundo ela, a iniciativa está alinhada à atuação da Fundação em ações que utilizam a organização coletiva e a geração de oportunidades como caminhos para o desenvolvimento local.

“Existe aqui uma iniciativa que nasceu dos próprios moradores e isso é muito importante. A Fundação Credinor estará ao lado da comunidade nessa caminhada, contribuindo para que os produtores tenham acesso ao conhecimento e aos instrumentos necessários para transformar uma atividade que já faz parte da história de Vaca Preta em novas oportunidades de trabalho e renda”, afirma.

Com o diagnóstico construído a partir dos encontros, os produtores seguem agora para as próximas etapas de organização e estruturação da cooperativa, com acompanhamento técnico do Sistema Ocemg e participação das instituições parceiras. (Ascom/Sicoob Credinor – Jornalista Dihemeson Faria)

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