TADEUZINHO SABATINADO
Por Arthur Amorim Jr (by Norticiando)
Nos corredores da Assembleia Legislativa, o destino de Tadeu Martins Leite, o Tadeuzinho (MDB), já circula como favas contadas: o Tribunal de Contas do Estado (TCE). A sabatina da última terça-feira (3/3) teve mais cara de formalidade do que de duelo político. A oposição até tentou apimentar o debate, cobrando transparência nas generosas isenções fiscais do governo de Romeu Zema e levantando questões sobre transporte e sistema prisional. Mas nada que tirasse o roteiro da previsibilidade mineira. Clima cordial, discursos medidos e votos praticamente carimbados. Se nada sair do script — e em Minas raramente sai — Tadeuzinho troca o martelo do plenário por uma cadeira estratégica, confortável e vitalícia no TCE. De quebra, herdará a vaga deixada por outro norte-mineiro, o piraporense Wanderley Ávila. Em política mineira, todos sabem: quando uma cadeira se move, muitas outras começam a ranger.
ÓRFÃOS DE TADEUZINHO
Seguindo o manual não escrito da boa política, Tadeuzinho tratou de avisar pessoalmente prefeitos, vereadores e aliados sobre sua decisão de trocar o plenário pelo Tribunal de Contas. O gabinete do presidente da Assembleia virou, nos últimos dias, uma verdadeira romaria política. Lideranças — sobretudo do Norte de Minas — bateram ponto por lá em busca de explicações, promessas e, claro, garantias. Tadeuzinho foi didático: assegurou que manterá os compromissos firmados e as emendas destinadas aos municípios até o fim do mandato. Já sobre o espólio eleitoral do grupo — que soma mais de 96 mil votos — preferiu a elegância do silêncio estratégico. Não apontou herdeiro político, deixando prefeitos e aliados livres para escolher seus rumos nas próximas eleições. Traduzindo do mineirês político: cada um que cuide do seu tabuleiro.
