Tráfico funcionava em casa de frente para creche em Pirapora
Imagine uma rua onde, todos os dias, dezenas de crianças chegam cedo para brincar e aprender. Do outro lado, bem em frente à porta da creche, uma casa vinha sendo usada para um negócio que não poderia ser mais cruel e perigoso: o tráfico de crack. Foi na noite de quarta-feira (12) que a Polícia Militar finalmente agiu — e o que encontrou confirma tudo o que os moradores já denunciavam há tempo.
A residência na Rua Duque de Caxias era conhecida na vizinhança como ponto de venda de entorpecentes. O pior detalhe? Fica de frente para a Creche do Bairro Industrial, um espaço cheio de meninos e meninas que transitam por ali o dia todo. As denúncias eram claras: o dono do imóvel recebia pessoas ali, oferecia abrigo e drogas em troca de um favor — que esses mesmos moradores trabalhassem vendendo drogas na rua.
A equipe policial não perdeu tempo: passou a monitorar o endereço de perto. E não demorou a ver o que já se esperava. Dois homens saíam da casa, abordavam quem chegava e faziam entregas rápidas — um cenário clássico de tráfico. Foi acionado o Tático Móvel para a abordagem.
Ao perceber a chegada dos policiais, um homem correu desesperado para os fundos, saltou muros e conseguiu fugir antes de ser detido. Mas o segundo, um homem de 38 anos, também tentou escapar ao invés de parar. Na corrida, ele jogou longe uma embalagem plástica — dentro dela, 21 pedras de crack.
Revistado, ainda carregava R$ 126 em dinheiro espalhado nos bolsos. Questionado, disse que vivia ali havia apenas alguns dias e que o dono da casa — aquele que era alvo principal das denúncias — não estava no momento, mas tinha estado durante a manhã.
Além das pedras de crack e do dinheiro, foram apreendidos um celular e uma câmera de segurança, usados, segundo a polícia, para vigiar a rua e avisar da aproximação de autoridades.
O homem de 38 anos foi preso em flagrante e conduzido à Delegacia de Polícia. A casa que ficava de frente para as crianças foi alvo de denúncias por muito tempo — e agora, com a ação policial, quem mora na vizinhança espera que, finalmente, o caminho para a escola possa ser só de crianças.
