Os Algoritmos da Floresta” destacam o encontro entre futuro, natureza e ancestralidade

 Os Algoritmos da Floresta” destacam o encontro entre futuro, natureza e ancestralidade

A noite de sábado (06/06) foi marcada por magia, ancestralidade, ‘negratitude’, simbolismo e forte carga estética, que tomaram conta do Corredor Cultural. Em meio a luzes, sons, performances e uma atmosfera de encantamento, o público lotou o espaço para acompanhar o desfile denominado “Os Algoritmos da Floresta”, dentro da programação da Mostra Cine Queer.

Entre o magnetismo das danças, a potência visual do desfile e os olhares atentos da plateia, o espetáculo transformou a passarela em um território de mistério, espiritualidade e pertencimento. O público acompanhou cada cena, emitindo vibrações de admiração diante de uma experiência artística que ultrapassou os limites da moda e da performance.

O desfile, assinado pela profissional de beleza, artista interdisciplinar, hairstylist premiada e pesquisadora de futuros Eloyá Amorim, propôs uma travessia estética em que ancestralidade e tecnologia dialogam, costurando narrativas sobre identidade, transformação e resistência.

Segundo Eloyá, a inspiração para “Os Algoritmos da Floresta” surgiu justamente do encontro entre futuro, natureza e ancestralidade. Ela explicou que buscou criar contrastes entre tecnologia e elementos naturais, utilizando símbolos e referências ligadas à força da natureza para provocar reflexões profundas.

Quando eu falo de ‘Algoritmos da Floresta’, eu estou falando de futuro misturado com ancestralidade e natureza. Minha inspiração foi trazer esse contraste da tecnologia com a natureza e a ancestralidade”, destacou Eloyá.

A proposta também nasceu de um processo pessoal de transmutação. Inspirada no simbolismo da borboleta, ela associou sua trajetória artística ao ciclo de transformação vivido pelo inseto, defendendo a arte como ferramenta de reconstrução emocional.

Eu queria falar sobre transmutação, sobre transformar a dor em arte. A borboleta passa por um processo doloroso até criar força para voar. Foi assim que me senti enquanto artista, vivendo ciclos até encontrar equilíbrio e transformar tudo isso em arte”, afirmou.

O resultado, segundo a criadora, superou as expectativas e provocou forte impacto emocional no público presente. Ela confessou ter se emocionado ao perceber a reação das pessoas diante da mensagem proposta pelo desfile.

Fiquei muito feliz porque as pessoas se emocionaram e ficaram reflexivas sobre a natureza, a espiritualidade e a necessidade de sair das telas, de se reconectar consigo mesmas. Hoje, estamos muito focados no telefone celular e nos algoritmos e acabamos esquecendo desse reencontro interior”, disse.

Ainda de acordo com Eloyá, a emoção do público demonstrou que a mensagem foi compreendida, mesmo por quem não entendia todos os simbolismos apresentados na passarela.

Mesmo quem não entendia tudo acabou se emocionando com cada elemento, cada animal de poder e cada parte do desfile. Fico feliz por conseguir transmitir essa mensagem sem atacar nenhum tipo de religião, mas como uma grande e bonita homenagem”, ressaltou.

Com linguagem visual intensa e provocativa, a proposta do desfile “Os Algoritmos da Floresta” consolidou-se como uma experiência sensorial e reflexiva, reunindo moda, performance, espiritualidade, tecnologia e referências afroancestrais em uma noite de forte conexão entre artistas e público.

Mais do que um desfile, o espetáculo transformou o Corredor Cultural em um espaço de contemplação e pertencimento, deixando como legado uma profunda celebração da diversidade, da arte e da liberdade de existir. (Jornalista Arthur Amorim Jr.)

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