Pirapora no alvo de operação contra jogos ilegais
Pirapora, no Norte de Minas, amanheceu nesta quarta-feira (24) no centro de uma grande operação da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) contra uma organização criminosa suspeita de explorar jogos de azar, lavar dinheiro e ameaçar apostadores. A ação teve desdobramentos em Minas Gerais, Piauí, Maranhão e Pará e mira integrantes apontados como líderes de um esquema que teria movimentado milhões de reais.
Na cidade norte-mineira foram cumpridos dez dos 28 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça. Também foram executados dois mandados de prisão preventiva durante a ofensiva, que contou ainda com diligências em Teresina (PI), Timon (MA) e Rondon do Pará (PA).
As investigações apontam que os principais líderes do grupo criminoso atuavam de forma articulada entre os quatro estados, coordenando um esquema de comercialização ilegal de bilhetes numerados e manipulação de resultados de sorteios divulgados em plataformas digitais.
Além das prisões e buscas, a Polícia Civil obteve autorização judicial para o sequestro de bens ligados aos investigados, incluindo 12 veículos avaliados em cerca de R$ 1,1 milhão. Também foi determinado o bloqueio de 43 contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas supostamente utilizadas para movimentar recursos oriundos da atividade criminosa.
Manipulação de sorteios
Segundo a PCMG, o grupo mantinha uma estrutura organizada, com divisão de funções, recrutamento de vendedores e utilização de empresas de fachada e terceiros para ocultar a origem dos valores arrecadados. As investigações indicam que os criminosos manipulavam resultados por meio do controle das chamadas “sobras” de bilhetes não vendidos.
Ainda conforme a apuração, integrantes da organização utilizavam ameaças e intimidações contra apostadores que reivindicavam premiações supostamente conquistadas.
R$ 11,5 milhões sob suspeita
Os levantamentos financeiros revelaram movimentações incompatíveis com a renda formalmente declarada pelos investigados. Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs), produzidos a partir de informações encaminhadas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), identificaram operações consideradas atípicas que somam aproximadamente R$ 11,5 milhões.
Os documentos apontam indícios de fracionamento de valores, intensa circulação de dinheiro e incompatibilidade patrimonial, características frequentemente associadas à prática de lavagem de capitais.
A investigação é conduzida pela 4ª Delegacia Regional de Polícia Civil em Pirapora e segue em andamento para identificar outros envolvidos e aprofundar o rastreamento dos recursos e patrimônios ligados à organização criminosa.
